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Páginas Criativas

Um blog onde a imaginação e a realidade podem andar de mãos dadas com a ESCRITA. Gostas de escrever? Partilha os teus textos connosco. Envia-os para o email: bibliotecasesagtn@gmail.com

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"A fada que não tinha ninguém", um texto da autoria da Beatriz do 8.º ano - Texto vencedor do 3.º escalão

Concurso Uma imagem, uma História_mês de abril/maio

21.06.21

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Era uma vez, num sítio bem distante…ah esqueçam! Eu não tenho jeito para isto. Primeiramente, não é “era uma vez”, é todos os dias às oito da manhã e também não é num “sítio bem distante”, fica a quinze minutos de carro. Mas, voltando ao assunto, esta é a história sobre uma fada, não uma fada qualquer, pois esta é muito diferente e mais bonita e inteligente que todas as outras. É pena que ela não veja isso…

O nome dela é Inês, é pequena, simpática, tem cabelos e olhos castanhos, cheira a rosas, tem asas brilhantes, frágeis e, como é óbvio, mágicas. Cada fada tem um poder especial, normalmente passado geneticamente de pai para filho, mas a Inês sofreu uma mutação e nasceu com um poder único que mais ninguém tem. Ela nasceu com o poder da ajuda, ou pelo menos é o que lhe chamamos. Resumidamente, ela vê quem precisa de ajuda e porquê e depois “manda” uma pessoa para ajudar. A fada não obriga ninguém a fazer nada, ela encoraja as pessoas a ajudarem. Eu gosto de dizer que a Inês dá pessoas, porque ela realmente dá, o poder dela junta as pessoas, cria relações de amor e de amizade e é a coisa mais bonita que já vi.

Toda a gente no nosso Vale ficou surpreendida quando descobriu o poder da Inês e ninguém sabia muito bem o que fazer com ela. Normalmente, as fadas têm poderes como: mudança de estação, criação, voz animal, luz, sombra, música, etc. Com essas habilidades, dá para fazer várias atividades relacionadas com a natureza. Normalmente, as fadas mais velhas dão tarefas às mais novas, mas como a Inês tem um poder tão fora do comum ninguém sabia ao certo que tarefas lhe dar. Então, decidiu-se que, todos os dias às oito da manhã, a Inês deve partir para a cidade e ajudar, pelo menos, dois humanos, como por exemplo hoje em que ela ajudou a Ana, que partiu o pé, e o António, que estava aborrecido. Ao encorajar o António a fazer companhia e a auxiliar a Ana, a fada ajudou os dois. Mas é um trabalho cansativo e solitário. A Inês junta pessoas todos os dias, mas ela não tem ninguém. Acho que isso afetou muito a sua autoestima: não se acha bonita o suficiente, ou inteligente o suficiente, ou corajosa o suficiente para ter alguém, mas ela é a pessoa mais bonita, inteligente e corajosa que eu conheço. Eu não me imaginava a ir sozinha todos os dias para a cidade e é preciso ser muito inteligente para ajudar pessoas de forma eficiente.

Eu queria ajudar a Inês, queria dar-lhe alguém, queria preencher o vazio que ela sente, mas não me deixam. As fadas são mantidas “isoladas” das que não têm os mesmos poderes que elas e nós até podemos falar e conviver com outras fadas de vez em quando, mas não por muito tempo.

Esta que vos fala é uma fada da música. Bom…mais ou menos… As fadas da música podem ter diversos poderes, normalmente todos diferentes uns dos outros, mas como têm todos a ver com o som, nós somos mantidas juntas. O meu poder chama-se Jackphone, tenho uns plugs nos dedos que me permitem ligar a qualquer coisa ou a qualquer um e reproduzir um som muito alto. Normalmente, uso o som do meu batimento cardíaco, mas também posso reproduzir sons vindos dos objetos onde me ligo. Como o meu poder é muito diferente do da Inês, acabo por nunca falar muito com ela, eu costumo observá-la de longe. De vez em quando, escrevo-lhe canções e mando-as anonimamente para que ela se sinta melhor consigo mesma e menos sozinha. Mas fazer-lhe músicas não é o suficiente, eu queria abraçá-la, falar com ela, fazê-la rir, queria ajudá-la com as suas tarefas cansativas…queria ser alguém para ela. Eu sei que a Inês não está completamente sozinha, ela tem família, mas como nem os pais nem a irmã a podem ajudar nas tarefas, eles arranjaram uma maneira de ela ter uma companhia.

Os familiares da fada têm o poder de voz animal. Resumidamente, eles conseguem falar com os animais em seu redor, a irmã dela é um pouco mais poderosa que os seus pais, pois ela consegue controlar os animais. Graças aos seus poderes, os pais da Inês convenceram uma joaninha a fazer-lhe companhia e a ajudá-la diariamente e, assim, elas ficaram amigas. Mas todos nós sabemos que uma joaninha não é a mesma coisa que uma fada, um animal não consegue abraçar, beijar ou dizer que vai ficar tudo bem. Eu consigo fazer isso, eu quero fazer isso e eu quero fazê-la perceber o quão incrível ela é. E depois de escrever tudo isto, percebi que estou apaixonada pela fada que não tem ninguém.

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