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Páginas Criativas

Um blog onde a imaginação e a realidade podem andar de mãos dadas com a ESCRITA. Gostas de escrever? Partilha os teus textos connosco. Envia-os para o email: bibliotecasesagtn@gmail.com

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Memórias

E@D_texto elaborado pela aluna Bruna Monteiro

19.04.20

Quero acreditar que seja assim!

 

   Na minha memória, existe um episódio de que me lembro bem, talvez por ter sido, felizmente, tão incomum e bizarro! 

   Eu tinha 13 anos, dizia-se que tudo tivera origem numa cidade chinesa, no final de 2019, mas depressa chegou aos quatro cantos do mundo - um novo vírus, o covid-19 ou coronavírus.

  Este episódio foi marcante pelos sucessivos acontecimentos. O vírus espalhou-se rapidamente pelo mundo e Portugal não ficava de fora.

Lembro-me bem de que os casos mortais, no nosso país, chegaram a 100, enquanto que no mundo o número de mortes eram em números redondos 30 mil! Estes números eram preocupantes, ainda não havia vacinas contra o vírus o que dava um certo toque de medo.

     Mas, nesses tempos, também havia coisas boas a acontecer… Os níveis de poluição mundial baixaram drasticamente, diz-se que onde antes não se ouvia o chilrear dos pássaros estes voltaram a fazer-se ouvir, a agitação das cidades tinha dado lugar à calma, as pessoas não andavam a correr de um lado para o outro…

Aprenderam, ainda que forçadas, a olhar para as coisas com olhos de ver, a apreciar coisas que já tinham esquecido, passaram a ter tempo!

Era como se este vírus tivesse sido criado com o propósito de enviar aos seres humanos, em nome do planeta, uma mensagem de alerta. Este vírus parecia querer fazer lembrar às pessoas que os seus comportamentos têm muita influência no nosso planeta e que temos vivido as nossas vidas sem pensar em coisas essenciais.

De repente, parecia que as regras se tinham invertido...Experimentámos uma sensação parecida com a que os animais sentiam em relação a nós, mas, na minha opinião, menos intensa porque este vírus não destruía o nosso habitat.

Com tudo isto a acontecer, as escolas do país foram encerradas, assim como bares, esplanadas, discotecas, etc. Para que o contágio fosse dificultado. Pouco tempo depois, foi decretado o estado de emergência e as pessoas só podiam sair de casa para trabalhar, fazer compras essenciais. O perigo estava à espreita em todo o lado e nós nem o víamos!

     Mas lembro-me também de que tudo isto passou, tudo melhorou e que este vírus foi combatido por todo o mundo, por cada um de nós!

O que um dia foi um pesadelo, hoje não passa de uma memória que teve um final feliz, que serviu para nos apercebermos de que todos juntos somos mais fortes e serviu também para que hoje respeitemos mais a natureza e apreciemos as coisas, realmente, importantes: a saúde, o tempo que passamos juntos!

Deixámos de dar valor a coisas fúteis, temporárias...Passámos a ser muito mais felizes!

 

Bruna  Monteiro

O MEU DIÁRIO de André Batista

Elaborado em contexto E@D.

18.04.20

O coronavírus pertence ao grupo dos vírus comuns entre os animais, o que significa que pode ser transmitido de animais para os seres humanos através do contacto. A OMS declarou a 11 de março de 2020 pandemia, o que quer dizer que atravessa todos os continentes. Para evitar a propagação do vírus, as escolas fecharam e nós ficamos em casa. Tempos negros se aproximam com a chegada dessa nova realidade.

 

19 Março 2020

André Batista

"Diário" , da aluna Ana Maia

Elaborado em contexto E@D.

17.04.20

14 de março de 2020, sábado, 21:38

 

Hoje, foi o primeiro dia de quarentena. Não fiz grande coisa, devo admitir. Toda a gente anda preocupada com a forma como as coisas vão ser agora e eu ainda estou a processar. Sempre tive dificuldade em lidar com despedidas de qualquer tipo, por isso eu prefiro fingir que está tudo bem até à hora em que não está. 

Queria poder dizer que não preciso de me preocupar porque, no fim da quarentena, vamos estar todos juntos outra vez, mas não é bem assim. As coisas vão mudar, eu tenho a certeza disso, mas saber que vamos para casa de surpresa e nunca vamos fazer as coisas que sempre quisemos fazer com uma amiga que vai embora deixa-nos a todos um bocado hesitantes. E sei que não posso fazer nada agora, mas quero acreditar que algum dia nós vamos voltar a encontrar-nos.

 

18 de março de 2020, quarta-feira, 17:40

 

É oficial, o mundo perdeu a cabeça! Sei que eu mesma estava a fazer um drama antes, mas eu ultrapassei isso depressa. Ou seja, falei com alguém que me ajudou a olhar para o cenário de outra maneira que não me fizesse entrar em pânico, como tinha acontecido. Mas as pessoas estão obviamente a dar em loucas. E como se isso não fosse mau o suficiente, na minha casa, que até agora tinha tido paz, a minha mãe entrou em parafuso sobre o vírus e está a fazer exatamente o mesmo que as outras pessoas. 

Hoje, ela disse que ia buscar frango e batatas ao supermercado para o almoço e voltou com dois sacos de compras, dos grandes, cheios, a transbordar de massa, enlatados, leite, e até papel higiénico. E, quando eu olhei para ela a entrar em casa com aquilo tudo atrás, pensei que se tinha esquecido que o meu pai trabalha na Renova e que, por isso, temos um stock gigantesco de papel de todos os tipos na cave. Ela, obviamente, começou a barafustar por todos os cantos, enquanto arrumava as latas de atum e os pacotes de massa nos armários, sobre como ela não estava a ser dramática e como nós precisávamos de provisões porque isto eram tempos difíceis. Eu o meu irmão, que obviamente a estávamos a levar a sério, gozámos dizendo que quando acabasse a comida comiam-se os cães primeiro. Felizmente, ela estava com um humor minimamente bom e não disse nada sobre a brincadeira. 

O dia passou, eu tinha trabalhos da escola para fazer e enviar, por isso fui-me embora. Honestamente, acho que mandei mais emails esta semana do que na minha vida inteira. Mas ao menos posso fazer os trabalhos como quiser sem ser incomodada, com música aos altos berros no meu quarto, se bem me apetecer. 

Mas eu continuava a pensar sobre o que a minha mãe e as pessoas em geral estavam a fazer. Até havia pessoas que lutavam umas com as outras nas lojas porque queriam levar as coisas que outros tinham. E, honestamente, para que é que precisam de tanto papel higiénico? Eu acho que se esqueceram da existência dos bidés. O que é um bocado idiota, tendo em conta que eles praticamente só existem na Europa. Mas enfim, acho que toda a reação quanto ao vírus estava a ser um grande exagero, coisas feitas por pessoas em pânico porque provavelmente não se informaram sobre o vírus e acham que agora é o fim do mundo. Como eu, antes de pedir que me explicassem melhor o que estava a passar-se.  

Eu concordo que se deve ter cuidado, mas há de haver um sítio onde se põe uma linha a dividir ser cuidadoso de estar em completa histeria. Eu costumo dizer que se pode fazer tudo, desde que não se prejudique ou magoe ninguém. Só acho que as pessoas deviam olhar para a nossa situação como se estivessem no espaço e vissem que o nosso mundo é tão pequeno e nós estamos a fazer um escândalo tão grande quanto ao que se passa, sem saber dos milhões de problemas lá fora, que são muito mais prejudiciais do que o vírus. Nós temos de ser inteligentes e cuidadosos, sem ser egoístas, histéricos ou ignorantes.

 

Ana

  “Vai ficar tudo bem 🌈 “

10.04.20

Atalaia, 20 de março de 2020

Querido diário, hoje foi o quinto dia de isolamento social. O dia amanheceu cinzento e as nuvens pareciam chorar. As ruas estavam desertas, uma calma pouco habitual. Apenas se ouviam os latidos dos cães e o chilrear das aves que continuam a viver descontraídas, em liberdade no seu habitat.

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Levantei-me e procurei saber o que poderia fazer ao longo do dia. Após realizar as tarefas escolares pude conversar com os meus amigos através da PS4. Também eles começam a estar cansados por não poderem sair de casa,  jogar futebol e até mesmo ir à escola. Sim! Estou com saudades da escola, dos meus colegas, professores, auxiliares e do porteiro António, que reclama por não fazermos aquilo que ele nos pede.

Também tenho saudades dos meus avós, de os abraçar e mimar. Mas, infelizmente, eles estão numa idade de risco e convém ficarem resguardados. Apenas falei com eles por videochamada, para matar um pouco desta minha saudade e da deles. E para saber se estavam bem ou se precisavam de alguma coisa…

Na televisão, os telejornais comentam o progresso do vírus covit19 por todo o mundo e os avanços dos médicos na luta em salvar os seus pacientes contra este inimigo invisível. Espero que a humanidade consiga vencer esta batalha. E não vejo a hora para ouvir dizer VENCEMOS!

A minha esperança reside no meio que me rodeia e na força que o Homem demonstra todos os dias nesta batalha. Quando vou ao meu terraço e posso observar o renascer da natureza. A primavera chegou, mas estávamos distraídos demais com tudo o que de mau nos está a acontecer, para o ver. Mas não podemos esquecer que a primavera todos os anos voltará.

                                                                   “Vai ficar tudo bem 🌈 “

                                                                        Nuno Santos

Fotodiário

E@D_texto elaborado pela aluna Sofia_articulação com a disciplina de Português

10.04.20

Quarta-feira, 18 de março de 2020

Querido diário,

Hoje foi um longo dia.

Por causa do coronavírus, estamos em quarentena e não temos escola, por isso os professores mandam trabalhos para nós fazermos em casa. Esta manhã, estive muito atarefada com os trabalhos da escola.

Depois de almoçar, eu e a minha irmã decidimos jogar um jogo de tabuleiro. Fomos escolher que jogo deveríamos jogar e chegámos à conclusão de que o Scrabble era o ideal, pois era o nosso favorito. No fim, quem tinha mais pontos era eu, claro.

A seguir, optei por ler um bocado do livro em que estou interessada neste momento, que é o segundo volume da coleção CHERUB, de Robert Muchamore, que se chama “O traficante”. 

E estou a adorar! É um livro cheio de ação e aventuras. Se pudesse, ficava a ler eternamente. 

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Mais tarde, fui jantar com a minha família. Comemos comida italiana, a minha preferida. O jantar estava ótimo! Foi a minha irmã que o fez. Ela adora cozinhar.

E agora acabo este dia da melhor forma, a escrever.mmm.jpg

Como eu adoro!  Até amanhã.

 

 

 

 

Quinta-feira, 19 de março de 2020

Olá outra vez!

Estou de novo aqui para te contar o excelente dia que tive hoje.

Para começar bem o dia, de manhã, tive a tarefa de que eu mais gosto!

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Cuidar dos animais, ou seja, alimentá-los, tratar da sua “casa”, dar-lhes muitos mimos e atenção...

Hoje é o dia do pai!

E por isso, hoje, fui eu a fazer o almoço. Para entrada, preparei umas mini- quiches de legumes e umas espetadas -miniatura de tomate e queijo. Como prato principal, fiz lombinhos de porco com coentros acompanhados de arroz indiano com passas e pinhões. 

Para beber, fiz uma limonada fresquinha e um sumo natural de maçã para mim, pois não gosto muito de limonada. E de sobremesa fiz um clássico bolo de laranja ensopado com caldo de laranja.

Foi um sucesso, o meu pai adorou tudo!

Depois deste memorável almoço, dediquei-me ao trabalho e fiz todos os trabalhos pedidos pelos professores neste dia.

Acabei exausta, mas satisfeita, pois foi um bom dia para mim.

Agora tenho de me ir deitar…

Gostei muito de partilhar isto contigo!                                                                                                               

Sofia Abreu

 

“Diário desta semana”

E@D_articulação com a disciplina de português_8.º ano

10.04.20

Torres Novas, 20 de março de 2020

Isto é tão estranho, este sentimento que tenho vivenciado nos últimos dias! Sinto-me diferente, sinto que vou ter uma vida diferente e mais desafiante nos próximos tempos. Que estranho que tudo me parece nestes dias! Querer abraçar e não poder, estar próxima de quem mais amo e não poder beijar, partilhar momentos e não conseguir fazê-lo. É um desafio novo para mim, aliás, este é agora o desafio da humanidade.

Apetece-me dizer que chegou o momento mais importante das nossas vidas, aquele acontecimento de que ninguém estava à espera, que nenhum de nós fazia ideia que este maldito vírus nos fosse atacar agora, de um momento para o outro. Não tinha noção de que fosse assim tão difícil passar por isto, que fosse tão complicado ficar fechada durante vinte e quatro horas no mesmo sítio, durante semanas. Talvez daqui em diante seja meses mesmo. Mas vou ter de aguentar, eu e todos, e fazer o possível para evitar o pior, nem que seja só ficar em casa. Se isso ajuda, vou fazê-lo.

 Passou só uma semana desde o início desta tragédia em que me disseram que tinha de ficar em casa e já me sinto uma pessoa diferente com pensamentos diferentes. Penso muito no dia de amanhã, no que pode acontecer às inúmeras pessoas, penso na minha família, relembro que isto pode acontecer a qualquer um. Não tenho aquele pensamento de que isto só acontece aos outros, penso exatamente o contrário. Digo para mim que é urgente a paz neste momento, este é o momento em que paramos e sabemos que somos todos iguais, a altura em que percebemos que não é preciso dar as mãos para estarmos unidos. Lembro-me de que não é por acaso que toda uma vida parou, foi para que todos nós, juntos, sem exceção, pudéssemos lutar por um final feliz.

Durante os últimos dias, dei mais valor à vida, percebo que não vale a pena sermos egoístas uns com os outros porque, de facto, estamos todos em risco e quando olho para a televisão e oiço coisas que parecem ser de um filme, fico assustada e com medo, medo do que vem daqui para a frente. Mas relaxo e penso que tudo o que decide aparecer de mau na nossa vida traz sempre algo de bom e que teve um antecedente para acontecer. E esse pensamento faz-me olhar para as coisas de maneira diferente e melhor, perceber que realmente aqueles que amamos voltarão a ter o nosso abraço e assim entender que o melhor da vida está nas pequenas grandes coisas, coisas que talvez não fazíamos antes. Foi preciso isto acontecer para darmos valor ao que nem sempre damos. Ficar este período em casa vai-me fazer analisar e ponderar o que nem sempre ponderamos.  

Precisei de parar para pensar, também eu não estava a compreender bem o que era isto. Já refleti e cheguei à conclusão de que isto não vai passar tão rápido como achamos e que vai demorar mais tempo a ultrapassar do que se imagina. Desta vez, somos nós contra o “bicho” que tudo quer acabar e, por isso, na minha consciência, vou agir da maneira correta.

Desistir não é, nem nunca foi, palavra que nos atingisse. Acredito que, se quisermos, vai ficar tudo bem e que em vez de ficarmos presos nas nossas casas, poderemos sair livremente. E os cafés, lojas, centros comerciais, as ruas, as cidades em si voltarão a encher-se de vida.

Agora, o que importa é vencer isto da melhor forma possível. Ainda agora começou…

 

Sofia Nobre

Três dias da Filipa

E@D_Diários_articulação com a disciplina de português

10.04.20

Sexta-feira, 20 de Março de 2020

Sinceramente, não tenho escrito esta semana toda. Foi muito cansativa e diferente, sinto-me um pouco cansada e frustrada. Não sei… porque isto é diferente para todos os estudantes e professores, mas mesmo assim vou reclamar porque de facto isto atormenta-me. E quem seria eu se não reclamasse, não é mesmo?

Como é possível isto acontecer? Obviamente que eu não peço aos professores para dizerem o que é para fazer nas horas das aulas, porque eu não me vou levantar às 8.30 da manhã, mas não acho sensato haver professores a porem o que é para fazer às 19 da noite. Mas quem sou eu para reclamar com os horários dos senhores professores…

Tenho muito que desabafar, tantos assuntos para falar e, como não tenho ninguém para o fazer pessoalmente, vou escrever aqui. Provavelmente, a pessoa que um dia conseguir ler o meu diário, vai ouvir-me reclamar, pensar, chorar, gritar, mas nunca vai conseguir perceber de facto quem sou eu.

Ok, não sou nenhuma influenciadora nas redes sociais, por isso não tenho muita voz e também não vou falar sobre isto lá, porque as pessoas, mais os adolescentes, estão fartos de ouvir falar sobre o Corona Mas eu também tenho muito que falar, por isso este pedaço de papel ainda vai ouvir muito sobre este tema. Isto do COVID-19 é um assunto a que no início não dei tanta importância, porque sei que é um pouco mau e agora percebo que não pensei nas pessoas que amo. Eu dizia “Ah, não há problema, isso só afeta os velhos”. Mas agora percebo que os velhos são os meus avós e isso nunca me tinha passado pela cabeça antes. E agora tenho mais medo, porque em Portugal os adolescentes estão a ser bastante afetados. Medo não é bem a palavra, mas neste momento é aquela que eu encontro ou, se calhar, até é medo e eu estou a tentar desviar o sentimento…       

Beijos.  

 

Sábado, 21 de Março de 2020

Está um pouco secante, mas fazer o quê? Isto é um diário, nunca vai fazer muito sentido. É óbvio que hoje em dia todos temos um diário, mas não percebemos, porque basicamente escrevemos no bloco de notas do telemóvel. Pois… nunca desabafamos a 100%. Mas aqui vai, mais uma vez a falar sobre o Corona.

Todos estão a dizer “Quero ir para a escola, estou farto de estar fechada em casa!” E eu sou praticamente a única pessoa que não quer ir para a escola.

Sinceramente, eu escrevo o que me vem à cabeça e parece que só estou a escrever para encher, e nem é esse o objetivo. Isto não faz sentido, pois eu gostava que os meus textos fossem interessantes, mas, quando eu acho que são, alguém me diz que não e eu leio melhor e vejo que estão uma “porcaria”.

OK! Já estou a fugir um pouco daquilo que tenho de dizer…

Beijos.

Domingo, dia 22 de Março de 2020

Esta semana foi muito diferente, mas eu gostei bastante dela, pois consegui fazer muitas coisas que já andava a adiar há muito tempo. Foi passada maioritariamente a fazer trabalhos manuais, escolares, exercício físico e a cozinhar, uma coisa que eu gosto bastante de fazer, pois a confeitaria é uma ciência muito bonita e saborosa. O exercício em casa é porque, aconteça ou não, eu quero o meu corpo de verão (ahahahah)!.

De certa forma, isto tem as suas vantagens e desvantagens, pois, não sendo um problema para mim, muitas pessoas estão a ficar saturadas e sem nada para fazer e isso poderá originar futuros problemas. Por outro lado, finalmente, o mundo está a dar uma pausa à poluição excessiva!

A semana que vem vai ser uma maneira de eu descobrir bastantes coisas e de me conhecer melhor. Provavelmente, a escola não vai reabrir no dia estipulado, pois nessa altura deve ser o pico desta pandemia, dando-me mais tempo para fazer umas pesquisas que já ando para fazer há muito tempo.

Beijos.

Filipa.

22 de março de 2020, num Paraíso (perdido!)

03.04.20

Querido Diário,

Numa semana em que levei um empurrão um pouco mais vigoroso e fui arrastada vertiginosamente para as últimas tendências ao nível das ferramentas virtuais, omnipotentes e omnipresentes, deu-me neste preciso momento um ataque nostálgico de adolescente e vim desabafar contigo. Também tenho direito, apesar das minhas 50 e tal primaveras (por sinal hoje a comemorarem-se!), não achas? Tornei-me professora (sabias deste sonho…) e agora parece-me que vou voltar a chatear-te com os meus dilemas… a que já estás habituado. Afinal, vou sempre ensinando aos meus alunos que a leitura e a escrita são elixires revigorantes de almas mais inquietas e com vontade de fugir da realidade, na melhor das hipóteses.

Pois é!...Estou meio baralhada, ninguém entende (isto ainda são reminiscências da adolescência, que não passaram!) e já começaram a abater-se sobre nós, com a velocidade a que as redes sociais permitem, reflexões, crónicas, comentários e outros quejandos, sobre as nossas estratégias e pedagogias, sobre o cansaço que as mesmas têm causado no seio familiar e até, imagina, observações conceituadas de que “a sua aula não foi muito produtiva”, “para o meu filho era melhor … e deve fazer para os outros…” Enfim, o preço de uma profissão multiplicadamente exposta que não inibe “expers” de fazerem saber todo o seu conhecimento e alternativas de sucesso, especialmente para cada um dos seus educandos.

Desculpa… mas vou pormenorizar. Foi decretado o fecho das escolas e logo trovejaram recados muito assertivos do Ministério de que “não estamos de férias”, “continuamos com horário escolar”, etc, etc, para que a respeitosa e respeitável comunidade educativa (e não só!) ousasse imputar-nos mais uma oportunidade (invejável e nada merecida!) de ter uma pausa letiva mais prolongada. Seguiram-se ofertas de plataformas temporariamente gratuitas para os meninos continuarem a aprender, mails e mais mails com tutoriais de milhentas outras com potencialidades inovadoras para os professores explorarem e aplicarem com os seus alunos… Numa tentativa zelosa de continuar a cumprir com as nossas obrigações e ir ao encontro das necessidades das disciplinas fulcrais para o sucesso dos alunos, dos exames que continuam a estar no horizonte, da eventualidade de termos de continuar a ensinar online e a avaliar, lá mergulhámos de cabeça nessa exploração, à procura de recursos atrativos e estratégias produtivas. Obviamente, cada professor escolheu o que melhor se adaptou à sua pedagogia e a diversidade surgiu! Seguiram- se dias intensos e esgotantes, com várias horas extraordinárias em comunhão imposta com todos os ecrãs disponíveis (partilhados e “roubados” à família que continuamos a ter e que, por acaso, também inclui estudantes e progenitores já com alguma idade a quem temos o dever de dar proteção!), com mensagens e telefonemas de sobra de imensos “filhos” que ganhei e não me largam, sem hora nem descanso, correções, reuniões, Internet lenta… E não faltaram dúvidas de alunos só porque sim, porque não lhes apetece ler as orientações ou estão a dormir e “chegam atrasados” a tudo, plataformas em que não conseguem entrar, trabalhos copiados (ou então solidariamente partilhados!), tarefas perfeitas de alunos que, de repente, passaram a responder a tudo corretamente e a escrever irrepreensivelmente. Confesso que não estava à espera destes milagres repentinos como professora já com uma longa carreira! À minha volta, num rodopio alucinante, testemunhos reconfortantes de “voltar às tarefas que não se faziam há muito tempo” e eu a terminar os dias esgotada… Não é justo! (outro resquício da adolescência!) Mas tudo em prol da urgência atual, das circunstâncias incontornáveis e do reconhecimento do poder da tecnologia!

Agora, vamos à melhor parte… Em momento de balanço da primeira semana, começam a chegar, para pintalgar o nosso fim de semana, as condoídas reclamações dos Encarregados de Educação sobre o excesso de trabalhos e as dificuldades familiares, proliferam os apelos à nossa boa gestão dos recursos e ao nosso bom senso, os comentários que quase me fazem sentir culpada e destruidora da harmonia do lar… É normal! Nos últimos tempos, é comum esta aparente desorientação, este caminhar em sentidos sinuosos, esta avaliação exacerbada e descontextualizada do exterior…

Vou respirar, vou entranhar o ar puro da Natureza, indiferente às estranhas cogitações humanas, vou absorver a energia de um Sol tremeluzente, vou tentar vislumbrar o horizonte luminoso por entre as tufadas nuvens, vou exalar este odor primaveril, vou... Sobreviver!

Adeus! Acho que vou precisar de ti brevemente!

 

Heroína Desconhecida